quarta-feira, outubro 10, 2007

Páginas da Vida

As mulheres brasileiras foram manchete de primeira página. Mas não pelos melhores dos motivos. “Brasileiras são as maiores vítimas do tráfico para fins sexuais”, grita a matéria do jornal “Público” sobre um estudo feito na Universidade de Coimbra e apresentado com pompa e circunstância na conferência ‘Tráfico de seres humanos’, organizado pela presidência portuguesa da União Europeia. “A maioria das vítimas de tráfico sexual em Portugal é de nacionalidade brasileira, seguindo-se as mulheres da Europa de Leste e as africanas, começando a evidenciar-se as de nacionalidade nigeriana”, explicou a investigadora para um auditório repleto com os chamados donos do poder.
Enquanto o mundo dito civilizado discute a igualdade entre os gêneros e a tolerância zero para este tipo de crime, nós publicitários e publicitárias o que fazemos? comerciais de trinta segundos em que nossos peitos são transformados em refrigerantes, cartazes de sandálias com curvas ‘femininas’ para serem pisadas por pés masculinos suados e incentivamos as futuras candidatas a famosas a posarem nuas nas págianas de revistas, nunca sem antes deixar de declarar o nome do seu político-amado-amante. Moralismos à parte, um certo cuidado com o bom gosto, o respeito e um quê de senso estético não ficaria mau a ninguém. Pobreza, violência, estupidez, falta de perspectivas e ignorância são alguns dos males do mundo mas, porque vamos ajudar a agravá-los. Rir não é o melhor remédio.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Está rindo de quê?

Fiquei sabendo que o famoso smiley nasceu há 25 anos. A bola redonda, com dois pontos parecendo olhos e um travessão quase sempre sorrindo, presente nos muitos e-mails, blogues, chats e SMSs nossos de cada dia, está fazendo aniversário. Filho de pai desconhecido, por incrível que pareça ele surgiu assim sem mais nem menos, como proposta vencedora num fórum de ciências da computação. Na sua árvore genialógica (de gênio, mesmo) encontramos apóstrofes, barras e pontos de exclamação. Mas nada se compara aos traços da sua família de emoções. Alegria, humor, dúvida, tristeza, amor e ódio. Alguns dos nossos sentimentos têm todos a mesma cara. Simples, não?

quarta-feira, setembro 12, 2007

O Dia Seguinte

Ontem, não resisti e fiz a já célebre pergunta às duas pessoas que trabalham ao meu lado - Onde você estava no 11 de Setembro? Um, num shopping na hora do almoço, viu as imagens assustadoras numa tela de plasma Sony, na vitrine de uma loja de eletromésticos. O outro, plugado no seu Mac, só se ligou quando alguém avisou da ainda possível catástrofe. Eu voltava para minha sala quando a secretária, terminando de engolir o seu hamburger do McDonald’s, me avisou do primeiro embate. Atônitas, sem ainda perceber direito o que havia acontecido, olhamos para a TV e, num clique, trocamos de canal para a CNN. Seis anos depois, inseguros e sempre perplexos, continuamos a carregar essas marcas para sempre. Em tempo - poucos foram os jornais diários aqui de Lisboa que deram algum destaque de primeira página ao ocorrido. O mundo realmente mudou.

quinta-feira, setembro 06, 2007

See you in September…


Também resolvi fazer uma lista do que aconteceu neste verão 2007 aqui em Lisboa, bem ao estilo “marcas e tendências que viraram moda”. Então, vamos lá: as lojas Go com suas saladas, sushis e sashimis; a reforma de alguns cafés e pastelarias, ex-libris da cidade, agora com muito mais claridade e espaço para fumantes e não fumantes; os filmes dos Simpsons e do Ratatui nos cinemas Lusomundo; o sorbet de limão da Olá; Crocks coloridos, Coca-Cola Zero e óculos anos 80 Rayban velho de guerra; os “low-coast” da Easyjet; bicicletas no final da tarde e caminhadas ao estilo Nike de manhã cedo; a mania dos bios - do Danone ao cosmético; a cor verde alface e o laranja suco de cenoura em tudo que é canto; a loja do chinês da esquina com aquele monte de utilidades inúteis; a banca de flores do supermercado Pingo Doce; praia de água fria e aulas de hidro na piscina aquecida; o Tejo com o farol do Bugio depois da limpeza; Copacabana me engana na abertura a novela Paraíso Tropical; os comerciais de celulares e cervejas; os livrinhos grátis que chegaram com o jornal Público; CaetanoMarisaChicoD2, sempre. Os nomes, as marcas, cores e sabores de mais uma ‘silly season’. E aí, já pensou nas suas?