quinta-feira, julho 22, 2010

Férias, verão, prêmios e refrigerantes

O que fazem os portugueses nas férias em tempos de crise? De acordo com um estudo da consultora GfK, este ano cerca de dois terços vão passar a tão esperada temporada em casa mesmo. Quem tem praia perto, aproveita para dar uns mergulhos sem gastar muito dinheiro. Quem não tem, inventa. Ou como dizia o meu velho pai publicitário - “ Quer um bom programa? vai ali em baixo, compra uma revistinha e uma
Coca-Cola, e pode ser que a tampinha venha premiada”. Sábias palavras que não fazem a cabeça de todos os filhos, é claro, mas por aqui o que não falta é imaginação. Para mudar a rotina da família “não ligamos a televisão sem ser em canais de desenhos animados e música, e não ligamos o computador”, declarou uma atenta dona de casa. “Os meus filhos vão com a família para o Algarve, mas para eles irem fico eu em casa”, justificou a outra e “Crise é para os ricos, pobre é pobre”, explicou a máxima tupiniquim ao jornal DN online uma sensata mãe brasileira que vive e trabalha neste país, enquanto comprava os bilhetes de trem para levar as crianças a um passeio para ver o mar próximo à Lisboa. Pelo andar da carruagem, o “Faça férias cá dentro”, tema de campanha do turismo interno, nunca foi tão oportuno e verdadeiro. Será que as tampinhas de refrigerantes ainda trazem prêmios?

segunda-feira, junho 14, 2010

Vuuuuu, vuuuuuu, vuuuuu....

Quer entrar no bolão? em época de Copa, é impossível resistir a tal convite. É o bolão do trabalho, do café, do jornaleiro, do condomínio, da aula de hidro, dos primos e amigos do e-mail e até da turma das varredoras de rua aqui do pedaço. Dizer que não é um insulto, ainda mais sendo brasileira e possível torcedora da tal seleção canarinha que não esquecem. Amanhã é o grande dia, dizem… Portugal de tarde, Brasil de noite e uma greve de comboios (trens suburbanos) pelo caminho que promete deixar muita gente em casa. O verão lisboeta está quase aí, o supermercado do bairro com uma ótima promoção - leve um barril portátil de cerveja e ganhe grátis um quilo de camarões - e telas de todos os tamanhos, em quase todos os lugares, à espera dos torcedores. Vuuuu, vuuuu, vuuuu zoa a incansável vuvuzela. Vaiiii, vaiiiii, vaiiii responde o mundo ligado na bola e eu no meu…bolão.

sexta-feira, abril 02, 2010

Boca Doce


É tempo delas - brancas, rosadas, cobertas com açúcar e enfeites dos mais variados. Estão por toda a parte, espalhadas pelas vitrines das milhares de confeitarias de Lisboa, gôndolas dos supermercados, em grandes vidros nos balcões dos bares, restaurantes e cafés da cidade. Em caixas coloridas ou em embalagens de papel transparente são verdadeiras moedas em forma de afeto, alegria, boa sorte e amizade distribuídas entre os conhecidos e até desconhecidos nesta época do ano. Surgem assim de repente e é impossível não comprar ou ganhar muitas delas. Já com um olhar pouco guloso, passo sempre algumas adiante. Mas não tem jeito e quando menos espero, recebo outras para “adoçar a vida”, dizem. Durante um bom tempo, ando com aquelas deliciosas pepitas na bolsa ou largada no fundo de uma gaveta qualquer e de um dia para o outro, como num passe de mágica, desaparecem na mesma velocidade que chegaram. Ano que vem tem mais, parecem dizer. Ainda sentindo o gosto das palavras que acabei de escrever, descubro nos gestos que estão nas entrelinhas, o doce e por vezes amargo exercício da troca e da simples convivência muitas vezes esquecida. Boa Páscoa e boas amêndoas para todos!

domingo, fevereiro 14, 2010

Samba, amor e carnaval

Não existe combinação mais explosiva que o dia de hoje - domingo de Carnaval e Dia dos Namorados, aqui em Lisboa. E não é por falta de foliões, convites e presentes que se vai deixar de comemorar a data. No quesito amor, mesmo em tempos de crise, o pessoal não perdeu a pose e cada vez mais os portugueses procuram oferecer opções baratas e simbólicas para mostrar o que sentem - um ramo de flores do jardim, cartões com declarações feitas à mão ou um jantar a luz de velas, em casa mesmo, pode dar sentido a frase do “como nunca pensamos nisso antes”. Feitas as contas, zero no orçamento e dez na conta poupança do love story em questão. Mas atenção - todo o cuidado é pouco até quando, inocentemente, depois da sobremesa alguém inventar de assistir aos desfiles das escolas de samba em direto na TV Globo Portugal. Aí é que mora o perigo! Ciúmes e fantasias à parte, se este desafio for ultrapassado será o primeiro passo para viverem um felizes para sempre. Samba, amor e carnaval - existe melhor programa do que este?